A era da biotecnologia na indústria farmacêutica

Por Chrislaine Soares

A biotecnologia está redesenhando os rumos da indústria farmacêutica ao exigir novas formas de produção, controle e desenvolvimento. O avanço dessa fronteira científica impõe investimentos pesados em tecnologias de ponta, mas também revela um ponto crucial: a necessidade de profissionais altamente qualificados para lidar com processos complexos, regulatórios rigorosos e inovação em escala global.

O conceito de biotecnologia em si abre uma nova fronteira científica para o ambiente sanitário. Saímos de um contexto de pequenas moléculas alterando funções biológica, para uma nova realidade em que podemos manipular os componentes celulares em si. Temos aqui uma nova fronteira a ser explorada.

A incorporação da biotecnologia no contexto industrial está em ascensão, especialmente na área farmacêutica. Os produtos de biotecnologia trazem consigo alta complexidade em todo seu ciclo de vida, desde a pesquisa e desenvolvimento, produção e nas estratégias de controles, por se tratar de moléculas biológicas ou de material biológico. Contudo, vinculado a toda essa complexidade de obtenção de um medicamento de biotecnologia está um benefício extremamente relevante sobre o tratamento de doenças raras, crônicas e o câncer.    

Nesse sentido, incorporar a biotecnologia requer alteração significativa do nível de investimento, seja para aquisição de instrumentação, insumos e da contratação de profissionais com alta qualificação profissional. Isso porque, a ciência biotecnológica é conduzida por meio de tecnologias avançadas e no nível molecular, com instrumentações não usuais na indústria farmacêutica de produtos sintéticos.

Leia também: Ascensão da biotecnologia amplia oportunidades na indústria farmacêutica

A alteração da dinâmica não se limita a investimentos, toda uma cultura de gestão da qualidade e do conhecimento é primordial para o sucesso da pesquisa, desenvolvimento e produção do medicamento biotecnológico. A implementação de controles finos durante todas as fases do processo é o que, na verdade, vai direcionar a obtenção de um produto com eficiência de operação, atendendo a todos os atributos críticos de qualidade, segurança e eficácia terapêutica.

O alinhamento às diretrizes regulatórias também é um fator de transformação. Atualmente, a discussão entre agências reguladoras e setor regulado está cada vez mais afinada. Há uma melhor compreensão do como conduzir o desenvolvimento de medicamentos biotecnológicos e crescente esforço para mater a discussão de melhorias em pauta, para que haja aumento do acesso da população a tratamentos específicos e eficazes.

Áreas da biotecnologia mais promissoras

Os produtos biotecnológicos, como mencionei anteriormente, possuem potencialmente um alcance ilimitado.

Contudo, alguns campos específicos, como o tratamento de doenças raras e crônicas, são destaque hoje, possibilitando aos indivíduos portadores dessas doenças qualidade de vida e retorno ao ambiente social, o que tem valor inestimável.

Nesse sentido, acredito que a área de produção de vacinas e anticorpos monoclonais, no momento técnico-científico do Brasil, é a de maior potencial de crescimento, de maior possibilidade de ampliação de acesso ao paciente.

Já somos internacionalmente reconhecidos por nossa capacidade de produção e ampla distribuição de vacinas. Desenvolvimento e produção de anticorpos monoclonais requerem implementação de tecnologias avançadas, mas uma vez essas tecnologias estejam na rotina da indústria farmacêutica no Brasil, haverá um ganho considerável de conhecimento para o desenvolvimento de projetos futuros.

Profissionais da indústria precisam se preparar

Estamos falando de uma área científica de vanguarda, que irá demandar novos conhecimentos e tecnologias em uma velocidade sem precedentes.

Para acompanhar a velocidade da transformação da informação é imprescindível manter uma mentalidade flexível, ou seja, estar aberto e entender que o que se praticava ontem pode ser executado de forma mais eficaz e eficiente atualmente.

A inovação requer um profissional que esteja em constante processo de aprendizagem. Pois é dessa forma que fazemos ciência, questionando e questionando o que sabemos, buscando e conectando informações continuamente, sendo protagonistas no processo de transformação.

Uma das estratégias para se manter atualizado é participar de fóruns de discussão técnica, cursos, workshops e leitura de publicações científicas. Cursos de pós-graduação, mestrados e doutorados são grandes diferenciais competitivos.

Vale ressaltar que o conhecimento especializado é muito importante, ele vai proporcionar a execução clara das atividades. Mas é igualmente importante compreender o impacto das nossas atividades no todo. Um produto é feito de muitas partes e de uma quantidade praticamente incontável de conhecimento, conduzido por muitas pessoas. Estar apto a trabalhar de forma multidisciplinar é um grande diferencial, e vai possibilitar vencer os desafios das inovações tecnológicas com mais astúcia.

Como se qualificar

O CDPI Pharma desenvolveu a pós-graduação Produtos Biológicos & Biossimilares com o objetivo de formar profissionais capacitados para a indústria farmacêutica para executarem atividades envolvidas no desenvolvimento de futuros fármacos, processos produtivos e desenvolvimento analítico, abordando como as agências regulatórias se mobilizaram e se capacitaram para receber essa demanda, como o setor público e privado manobraram para viabilizar e incorporar tal tecnologia, capacitação do parque fabril, parcerias internacionais, parcerias público-privadas, tecnologias analíticas, vias regulatórias e as novas tendências regulatórias e tecnológicas acerca dos produtos biológicos.

Para saber mais sobre todos os cursos, graduação e pós-graduações do CDPI Pharma, clique AQUI.

Participe do nosso grupo de WhatsApp para receber notícias relacionadas à indústria farmacêutica. Clique aqui e faça parte do seleto grupo CDPI Notícias.

 

Chrislaine Soares é doutora em Bioquímica e coordenadora de Biotecnologia da Faculdade CDPI.