CDPI participa de congresso mundial que debate práticas sem uso de animais
Por Leonardo Pinto
Representando o CDPI Pharma – Centro de Desenvolvimento Industrial Profissional, estivemos no WC13 Rio – World Congress on Alternatives and Animal Use in the Life Sciences – um dos principais eventos internacionais dedicados ao avanço das alternativas ao uso de animais em Life Sciences. O congresso reuniu cientistas, pesquisadores, formuladores de políticas e profissionais da indústria de todo o mundo, com 43% de participação brasileira e 57% internacional, criando um ambiente fértil para a troca de experiências e para a discussão dos caminhos futuros da ciência regulatória.
Nossa participação esteve centrada em um tema de grande relevância para a indústria farmacêutica: a definição de Limites de Segurança sem o uso de animais para fins de validação de limpeza. Essa estratégia é crucial no gerenciamento de risco de contaminação cruzada em instalações compartilhadas, pois garante a segurança dos pacientes. No entanto, os métodos tradicionais ainda dependem fortemente de dados oriundos de estudos em animais.
Ao lado da professora Fernanda de Lima Moreira, da UFRJ, apresentei o trabalho “Next-generation risk assessment: Integrating in vitro data and PBPK modeling for vancomycin nephrotoxicity evaluation”, publicado recentemente na revista internacional NAM Journal. Nosso objetivo foi propor uma abordagem alternativa para a definição do PDE – Permitted Daily Exposure, integrando dados de toxicidade in vitro com a modelagem PBPK (Physiologically Based Pharmacokinetic) e o uso da dosimetria reversa (PBPK-RD). Essa estratégia permite caracterizar a toxicidade, aplicar dosimetria baseada em parâmetros humanos e, assim, estabelecer pontos de partida (PoD) mais relevantes para a saúde humana, reduzindo incertezas e alinhando-se às Novas Abordagens Metodológicas (NAMs).
Essa proposta não apenas acelera decisões regulatórias, como também contribui para a construção de uma ciência mais ética, sustentável e alinhada aos princípios dos 3Rs (Replacement, Reduction, Refinement). “Para o CDPI Pharma, reforçar o uso de metodologias inovadoras é um compromisso contínuo com a segurança do paciente e com o avanço científico aplicado à indústria farmacêutica”, falou o fundador do CDPI Pharma e do Ephar – Instituto Analítico, Poatã Casonato.
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Outro ponto em destaque no congresso foi o impacto crescente da Inteligência Artificial (IA). A IA se consolidou como ferramenta estratégica para integrar dados in vitro, in silico, in chemico e in vivo, permitindo análises robustas e preditivas. Ao aplicar informações ômicas e modelagem PBPK, a IA contribui para desenvolver e fortalecer a perspectiva de One Health, integrando a proteção da saúde humana, animal e ambiental. “Essa é uma agenda que o CDPI Pharma tem buscado acompanhar de perto, trazendo soluções modernas e alinhadas às tendências globais”, destaca Casonato.
Além da apresentação, tive a honra de atuar como chair, ao lado da pesquisadora Helena Kandarova, ERT, na sessão #135 “Next-generation Risk Assessment”, um espaço que reforçou a importância de unir ciência de ponta, inovação tecnológica e compromisso ético. Essa sessão trouxe palestras de referência mundial, como:
- Thomas Hartung (Johns Hopkins CAAT) – sobre a validação de próxima geração para avaliação de risco;
- Predrag Kukic (Unilever) – sobre os avanços de NAMs para avaliação de toxicidade sistêmica de ingredientes cosméticos;
- Kirsten Gerloff (Symrise AG) – sobre NGRA ocupacional de filtros;
- e tive a oportunidade de apresentar a integração de dados in vitro e modelagem PBPK para avaliação de nefrotoxicidade, representando tanto a UFRJ quanto o CDPI Pharma.
Participar de um congresso desse porte é, sem dúvida, um desafio que exige preparação, coragem e resiliência. Mais do que o trabalho em si, levo comigo o aprendizado de que cada experiência internacional amplia nossa visão, fortalece nossa atuação profissional e reforça o papel do CDPI Pharma na promoção de soluções científicas modernas, éticas e eficazes para a indústria farmacêutica.
Como se qualificar com o CDPI
Para quem deseja se aprofundar nesse campo promissor e entender melhor como a tecnologia impacta a produção de medicamentos e produtos químicos, o Curso Superior de Tecnologia – Gestão da Produção Industrial, fornece uma base sólida e prepara profissionais para os desafios da Indústria 4.0.
Além disso, o CDPI oferece o Curso – Inteligência Artificial e Ciência de Dados na Indústria Farmacêutica, que tem como objetivo capacitar profissionais da área a utilizar a ciência de dados e a inteligência artificial para transformar dados brutos em insights valiosos e a aplicar essas tecnologias para otimizar processos, melhorar a qualidade dos produtos e serviços e impulsionar a inovação dentro da organização.
Leonardo Pinto é gerente de Tecnologia e Inovação no CDPI Pharma e coordenador da Pós-graduação em Toxicologia Industrial.
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