Doutorado do CDPI faz ponte entre a ciência do Brasil e a Universidade deCoimbra
Por Erika Prates
A Faculdade CDPI está conectando profissionais brasileiros da indústria farmacêutica a uma formação doutoral internacional em parceria com a Universidade de Coimbra (UC), em Portugal. O Doutorado Internacional em Ciências Farmacêuticas foi estruturado para a Turma 2026 com foco em pesquisa aplicada, inovação tecnológica, regulação sanitária, qualidade, desenvolvimento farmacêutico e internacionalização de carreira.
A iniciativa cria uma ponte entre a tradição acadêmica europeia e os desafios concretos da indústria farmacêutica brasileira. A proposta é formar doutores capazes de transformar demandas reais do setor em projetos científicos consistentes, com impacto potencial em desenvolvimento de produtos, processos industriais, conformidade regulatória, produção científica e avanço tecnológico.
Ao acompanhar a estruturação desse projeto, vejo uma mudança importante na forma como a formação stricto sensu pode dialogar com a indústria. O ponto central não é apenas obter uma titulação internacional. O diferencial está em construir uma trajetória de pesquisa com orientação adequada, aplicação prática e interlocução com quem conhece a realidade regulatória, produtiva e tecnológica do setor farmacêutico no Brasil.
A titulação será conferida pela Universidade de Coimbra, enquanto o CDPI atuará no Brasil como instituição parceira no suporte institucional, na orientação aos candidatos, na integração com o ecossistema farmacêutico nacional e no acompanhamento da jornada acadêmica. Para o candidato brasileiro, esse apoio reduz a distância entre uma candidatura internacional e a elaboração de um projeto consistente, viável e tecnicamente aderente à realidade da indústria.
Pesquisa aplicada à realidade industrial
O Doutorado Internacional em Ciências Farmacêuticas está estruturado para profissionais da indústria farmacêutica, especialistas em assuntos regulatórios e qualidade, pesquisadores, docentes, coordenadores acadêmicos e profissionais que desejam internacionalizar sua formação. A proposta privilegia candidatos com trajetória técnica, científica ou profissional capaz de sustentar uma investigação em nível doutoral.
O acesso ao programa requer, preferencialmente, grau de mestre. Candidatos sem mestrado também poderão ser avaliados, desde que apresentem currículo acadêmico, científico ou profissional de elevado mérito, sujeito à análise e aprovação da Universidade de Coimbra. Isso abre espaço para profissionais com forte experiência no setor, produção técnica relevante, participação em projetos científicos ou carreira com impacto demonstrável.
Para o CEO do CDPI Pharma, Poatã Casonato, o programa representa uma mudança de patamar na relação entre formação avançada e indústria farmacêutica: “O doutorado não pode ser visto apenas como um título. Ele precisa ser entendido como uma ferramenta de transformação científica, tecnológica e profissional. A parceria com a Universidade de Coimbra permite que o profissional brasileiro desenvolva pesquisa com padrão internacional, sem perder a conexão com os desafios reais da indústria farmacêutica no Brasil”.
O programa está organizado em sete grandes eixos estratégicos em que temos professores que podem atuar como coorientadores: Tecnologia Farmacêutica, Toxicologia, Assuntos Regulatórios, Qualidade Farmacêutica, Biofarmácia e Farmacocinética, Biotecnologia Farmacêutica e Química Analítica e Bioanalítica. Entretanto a UC ainda oferece um grande número de áreas a serem pesquisadas.
Essas áreas refletem pontos críticos da cadeia farmacêutica e permitem que o candidato estruture projetos em temas como formulação, desenvolvimento tecnológico, escalonamento produtivo, segurança, risco, registro de medicamentos, conformidade regulatória, Boas Práticas de Fabricação (BPF), validação de processos, biodisponibilidade, bioequivalência, biofármacos, vacinas, terapias avançadas e métodos analíticos.
Essa amplitude é relevante porque a indústria farmacêutica exige profissionais capazes de transitar entre ciência, tecnologia, regulação e estratégia. Um projeto doutoral bem construído pode responder a gargalos concretos da produção, da qualidade, da inovação, da análise biofarmacêutica, da transferência de tecnologia ou da gestão regulatória.
Apoio brasileiro fortalece a candidatura
Embora a candidatura seja realizada pela plataforma acadêmica da Universidade de Coimbra, o CDPI oferece suporte ao candidato brasileiro antes e depois da submissão. Esse apoio inclui orientação inicial, análise do perfil, organização documental, alinhamento de expectativas, apoio na construção da proposta e acompanhamento das etapas de candidatura, resultado, matrícula e desenvolvimento acadêmico.
Esse ponto é decisivo. Uma candidatura internacional exige clareza de propósito, coerência curricular, carta de motivação consistente, documentos adequados, capacidade de demonstrar aderência ao programa e maturidade na definição do tema de pesquisa. O CDPI atua justamente nessa preparação.
Além disso, para candidatos residentes no Brasil, poderá haver participação de coorientador local, especialmente quando o projeto envolver atividades acadêmicas, institucionais, laboratoriais ou de pesquisa desenvolvidas no País. A coorientação brasileira deverá seguir as regras institucionais da Universidade de Coimbra, mas o CDPI poderá apoiar esse processo por meio de sua rede de professores e pesquisadores.
Outro diferencial é a possibilidade de desenvolvimento de parte importante da investigação no Brasil, conforme o enquadramento do projeto. O CDPI possui laboratórios equipados e relação próxima com o setor farmacêutico brasileiro, o que permite ao doutorando estruturar pesquisas com maior aplicabilidade, relevância e potencial de impacto para a indústria nacional e latino-americana.
Formação avança em quatro etapas
A estrutura acadêmica do doutorado está organizada em quatro troncos formativos:
- O primeiro corresponde à formação acadêmica obrigatória, com disciplinas oferecidas pela Universidade de Coimbra em formato síncrono e no horário oficial de Portugal. Essa fase exige comprometimento do estudante brasileiro, inclusive em razão do fuso horário, e marca o início da aproximação com as linhas de investigação, os possíveis orientadores e a definição da área científica.
- O segundo tronco envolve o enquadramento científico e a definição do projeto. É nessa etapa que o estudante formaliza a linha de investigação, define o orientador principal e eventuais coorientadores, além de elaborar o projeto científico de doutorado. Trata-se da transição entre a formação curricular e o início estruturado da pesquisa.
- O terceiro tronco corresponde ao desenvolvimento da investigação. Nele, o aluno executa o projeto aprovado, realiza atividades experimentais, tecnológicas ou aplicadas, produz artigos científicos e consolida os dados que integrarão a tese. Conforme o enquadramento do projeto, parte relevante dessa etapa poderá ser realizada em ambiente profissional, industrial ou institucional.
- O quarto tronco envolve a consolidação científica e a defesa. Nessa fase, o estudante finaliza a redação da tese, submete o trabalho à avaliação institucional, realiza a defesa pública e obtém o grau de doutor pela Universidade de Coimbra.
Para Casonato, o desenho do programa responde a uma demanda histórica da indústria farmacêutica brasileira: formar profissionais com densidade científica, visão internacional e capacidade de resolver problemas complexos.
“O Brasil tem profissionais altamente qualificados, mas ainda precisa ampliar a produção de conhecimento aplicado à indústria farmacêutica. O papel do CDPI Pharma é ajudar esse candidato a transformar sua experiência em um projeto doutoral robusto, com orientação, estrutura e conexão com as necessidades reais do setor”, destaca ele.
Candidatura exige planejamento
O processo seletivo é realizado pela Universidade de Coimbra e ocorre em fases ao longo de 2026. As próximas fases previstas são a segunda fase, entre 1º de junho e 15 de julho de 2026, e a terceira fase, entre 1º e 11 de setembro de 2026. As vagas são limitadas por fase de candidatura, e a equipe do CDPI realizará encontros online para esclarecimento de dúvidas e orientação aos interessados.
A seleção considera critérios como adequação da formação acadêmica à área do doutorado, produção científica, participação em projetos de investigação e experiência profissional relevante no setor farmacêutico ou em áreas afins. Entre os documentos previstos estão carta de motivação, duas cartas de recomendação, certificados acadêmicos, histórico escolar, currículo atualizado e documento de identificação válido.
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Há ainda a possibilidade de aplicação presencial de prova no Brasil, desde que haja número mínimo de candidatos inscritos, condição que viabilizaria o deslocamento de representante da Universidade de Coimbra ao País. A candidatura oficial, porém, permanece sob responsabilidade da UC, e o CDPI atua como facilitador, orientador e apoio técnico ao candidato brasileiro.
Na prática, isso significa que o profissional interessado deve se preparar com antecedência. O projeto de pesquisa precisa nascer de uma pergunta relevante, tecnicamente defensável e aderente às áreas estratégicas do programa. A experiência profissional pode ser um ativo importante, desde que seja traduzida em problema científico, metodologia viável e contribuição clara para o campo farmacêutico.
Uma ponte entre ciência e carreira
O Doutorado Internacional em Ciências Farmacêuticas também deve ser entendido como movimento de carreira. Para profissionais que já atuam em qualidade, regulação, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), produção, controle analítico, toxicologia, biofarmácia, biotecnologia ou gestão técnica, a formação doutoral pode ampliar a capacidade de liderança científica, inserção internacional e atuação em projetos de maior complexidade.
A indústria farmacêutica passa por um ciclo de transformação marcado por maior exigência regulatória, pressão por inovação, avanços em biotecnologia, digitalização de processos, necessidade de robustez analítica e busca por maior competitividade global. Nesse ambiente, o profissional que consegue unir experiência industrial, pensamento científico e visão estratégica tende a ocupar espaços mais qualificados.
Esse é o sentido mais forte da parceria entre CDPI e Universidade de Coimbra. O programa cria uma ponte entre a pesquisa acadêmica internacional e a realidade da indústria farmacêutica brasileira. Para o candidato, representa a possibilidade de construir uma tese com relevância científica e aplicação prática. Para o setor, representa a formação de profissionais capazes de produzir conhecimento, liderar projetos e contribuir para o avanço tecnológico da cadeia farmacêutica.
Na minha leitura, o maior valor desse doutorado está justamente nessa integração. A pesquisa não nasce isolada da prática. Ela parte de problemas reais, dialoga com a indústria e retorna ao setor em forma de conhecimento, método, inovação e maturidade técnica.
Profissionais interessados em conhecer o Doutorado Internacional em Ciências Farmacêuticas podem acessar a página do curso no site do CDPI Pharma e preencher o formulário de interesse para receber orientações da equipe acadêmica.
Para conhecer mais sobre o programa Doutorado Internacional em Ciências Farmacêuticas, do CDPI Pharma, acesse AQUI.
Erika Prates é consultora do CDPI Pharma