Pequenas partículas de gordura capazes de transmitir instruções para a síntese de proteínas, burlando o sistema de filtragem sanguínea do cérebro, podem um dia viabilizar novos tratamentos para distúrbios neurológicos, afirmam pesquisadores.
As nanopartículas lipídicas que transportam RNA mensageiro são injetadas por via intravenosa. Uma vez na corrente sanguínea, elas conseguem contornar a barreira hematoencefálica, que normalmente impede a entrada de medicamentos e outras substâncias estranhas, incluindo substâncias benéficas que podem ajudar a tratar ou prevenir doenças, relataram os pesquisadores na segunda-feira na revista Nature Materials.
Em experimentos de prova de conceito em camundongos e em amostras de tecido cerebral humano, o mRNA foi entregue com sucesso a uma ampla variedade de regiões do cérebro, onde as células seguiram as instruções para substituir proteínas ausentes ou reduzir as prejudiciais.
Os pesquisadores observaram que são necessários mais estudos para avaliar a segurança e a eficácia a longo prazo antes que a abordagem possa ser testada em humanos para o tratamento de doenças como Alzheimer, esclerose lateral amiotrófica, câncer cerebral e dependência de drogas.
Ainda assim, as descobertas “destacam o potencial das nanopartículas lipídicas para superar um dos maiores desafios no tratamento de doenças cerebrais”, que é ultrapassar a barreira hematoencefálica, disse em comunicado o Dr. Eric Nestler, co-líder do estudo e professor da Escola de Medicina Icahn do Monte Sinai, em Nova York.