Meeting 2026 consolida excelência industrial farmacêutica
Por Redação CDPI
O Meeting CDPI 2026 reuniu, em um mesmo ambiente, as principais lideranças que definem o futuro da indústria farmacêutica no Brasil, do regulatório à operação industrial, passando por inovação, qualidade e formação de talentos. “Quando mais de 200 executivos, reguladores e especialistas se reúnem para discutir o que acelera e traz inovações para o setor, a indústria avança porque as decisões passam a ter prioridade, alinhamento e consequência”, afirmou o CEO do CDPI Pharma e do Ephar Instituto Analítico, Poatã Casonato, na abertura do Meeting 2026.
Promovido pela Faculdade CDPI, em parceria com o Conselho Federal de Farmácia (CFF), o evento ocorreu em 7 de fevereiro, no auditório do Cubo Itaú, e reuniu mais de 200 convidados. O público incluiu lideranças dos Conselhos Federal e Regionais de Farmácia, Diretores da Anvisa, executivos de diversas empresas do setor, professores e consultores do CDPI e Ephar.
Entre as autoridades presentes estiveram o Secretário Geral do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Gustavo Pires; a presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), Luciana Canetto; a presidente do Conselho Regional de Farmácia de Goiás (CRF-GO), Luciana Calil; três Diretores da Anvisa (Daniela Marreco, da Segunda Diretoria; Daniel Pereira, da Quarta Diretoria; e Marcelo Moreira, diretor substituto da Terceira Diretoria), o presidente executivo da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (ALANAC), Henrique Tada; o presidente executivo da ABIQUIF, Norberto Rech, o diretor global de Assuntos Regulatórios da Eli Lilly and Company, Gustavo Mendes; o CEO do Laboratório Cristália, Thiago Stevanatto; o diretor de Pesquisa e Inovação da Vitamedic e coordenador do CDPI Pharma, Rafael Fernandes; entre outros executivos e autoridades.
A agenda combinou painéis e palestras com foco em regulação, inovação, capacitação profissional e integração entre os diferentes atores do ecossistema industrial. A proposta foi colocar, em um mesmo palco, as pressões do mundo regulatório, os gargalos operacionais do setor e as demandas reais de formação para sustentar competitividade.
Saúde pública e excelência regulatória industrial
O primeiro painel reuniu lideranças da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratar de prioridades, desafios e caminhos de evolução do sistema regulatório no Brasil, em diálogo direto com a indústria.
A diretora da Segunda Diretoria da Anvisa Daniela Marreco, destacou que o foco para 2026 passa por coesão institucional e alinhamento de prioridades, com efeito direto sobre prazos e previsibilidade. “Se a gente não souber onde a agência quer chegar nos próximos anos e cada um trabalhar por objetivos diferentes, a gente não vai chegar em lugar nenhum”, disse. “Para 2026, nossa grande prioridade é tratar filas”, afirmou, citando o acúmulo de análises em diferentes áreas e a necessidade de alinhar tecnologia da informação e política de recursos humanos. Daniela também apontou a revisão da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 67/2007 como um tema relevante por se tratar de uma norma elaborada em outro cenário de mercado, para farmácias magistrais.
O diretor da Quarta Diretoria da Anvisa, Daniel Pereira, enfatizou que parte do desafio brasileiro está nas particularidades do setor público e na estrutura de restrições e controles que afetam velocidade de execução. Daniel defendeu o uso de gestão baseada em risco para compatibilizar rigor sanitário com eficiência, principalmente em um ambiente em que a demanda cresce acima da capacidade de análise. “A gestão baseada em risco é fundamental. A ausência dessa abordagem inviabiliza a eficiência em um cenário em que a demanda cresce em ritmo superior à capacidade de análise”, afirmou, citando avanços já percebidos em importação, com redução de prazos em diversos casos.
O diretor substituto da Terceira Diretoria da Agência, Marcelo Moreira, colocou a presença do Brasil em fóruns internacionais como consequência do peso do mercado e do amadurecimento técnico regulatório e industrial. “O Brasil não participa simplesmente como um observador na regulação sanitária internacional. Nós somos responsáveis, muitas vezes, por pautar”, disse. Moreira também apontou expectativa de fortalecimento regional, com espaço para o Brasil ampliar protagonismo e avançar na ferramenta de Reliance como parte desse caminho, além de destacar a importância de fortalecer as diretorias de assuntos regulatórios nas indústrias, visando dossiês de registro mais robustos.
Progresso e evolução na indústria e o gargalo da formação
Na sequência, o diretor de Pesquisa e Inovação da Vitamedic e coordenador de pós-graduação do CDPI Pharma, Rafael Fernandes, estruturou a palestra em torno de um diagnóstico incômodo para o setor: tecnologia e complexidade avançam, mas a formação prática nem sempre acompanha o ritmo exigido pela operação industrial.
Ele destacou a aceleração da digitalização impulsionada pela pandemia e a necessidade de construir ambientes de trabalho que consigam reter e potencializar talentos mais jovens, com foco em propósito e pertencimento. “A pandemia acelerou o processo de digitalização da humanidade, e foi um caminho sem volta: a pandemia passou, mas a digitalização ficou”, afirmou. Ao comentar gestão de pessoas, Rafael indicou que, sem alinhamento de propósito, a rotatividade tende a crescer, pressionando ainda mais a produtividade industrial.
Fernandes também apontou a força do mercado brasileiro e o impacto da própria regulação como vetor de geração de oportunidades. “Temos alta demanda de profissionais nas empresas e crescente”, afirmou, lembrando que exigências regulatórias ampliam frentes de trabalho e especialização. Na leitura apresentada, o desafio não é apenas formar mais profissionais, mas formar melhor, com prontidão técnica mínima e visão de processo.
CFF, diálogo institucional e o retorno do encontro presencial
O diretor do CFF, Gustavo Pires, defendeu aproximação contínua entre fiscalizador e fiscalizado, com participação efetiva em consultas públicas e debates regulatórios. Pires reconheceu que, historicamente, havia resistência institucional ao diálogo com a indústria, mas afirmou que esse ciclo vem mudando. “Quando eu entrei lá, se eu falasse assim: precisamos nos encontrar com a indústria e conversar. A resposta era NÃO, mas por quê?”, indagou, sustentando que a atualização de normas exige escuta e adequação à realidade atual.
A presidente do CRF-SP, Luciana Canetto, reforçou a importância do encontro presencial para além das ferramentas digitais, defendendo que networking e alinhamento de agenda exigem proximidade real. “Ferramentas digitais ajudam, mas não é tudo. A gente precisa de ambientes como esse, de olho no olho, de reflexões produtivas”, afirmou. Luciana também citou a disposição do CRF-SP em ampliar diálogo com o setor industrial e elogiou entregas técnicas do corpo regulatório.
Já a presidente do CRF-GO, Luciana Calil, conectou o debate à realidade regional de polos industriais e à lacuna histórica entre oferta e demanda de profissionais qualificados. “Quando você vê a indústria buscando profissionais em outros lugares para controle de qualidade e para cargos estratégicos na indústria, e você vê de um outro lado uma área da farmácia supersaturada e a indústria precisando de profissionais, aí que se percebe a importância do trabalho que o CDPI realiza”, disse, ao ressaltar a contribuição do CDPI para reduzir esse descompasso.
Consultoria CDPI e integração do ciclo de vida do medicamento
Além da programação regulatória e educacional, o Meeting 2026 também foi usado para apresentar frentes de atuação e consolidação institucional do CDPI, incluindo a estrutura de consultoria multidisciplinar, cursos e parcerias acadêmicas citadas por Casonato durante o evento, com destaque para iniciativas de formação executiva e projetos interinstitucionais.
O coordenador da pós-graduação em Toxicologia Industrial, Leonardo Pinto, resumiu a proposta de consultoria como uma ponte operacional entre academia e indústria, com diagnóstico, inteligência regulatória e plano de ação conectado a resultados sustentáveis. “A ligação de conhecimento é uma coisa que é muito importante, que é a ponte entre a academia e a perspectiva da indústria farmacêutica”, disse. Leonardo também defendeu que a integração de competências regulatórias e técnicas, em um mesmo time, permite atender ao ciclo de vida completo do medicamento, do desenvolvimento ao pós-registro.
Premiação da graduação e reconhecimento acadêmico dos TCCs nota máxima
Um dos momentos de destaque foi a premiação de seis alunos da graduação do CDPI, reconhecidos por comprometimento e performance. Foram chamados ao palco: Leandra Rosa da Silva, Suelen Louara Gomes Lopes, Leandro de Oliveira Nogueira, Katia Cibele dos Santos Silva, Guilherme Ricardo da Silva Caceres e Eliana Terezinha Oliveira de Melo.
Na sequência, o evento premiou os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) que receberam nota máxima nos cursos de Pós-Graduação do CDPI, com temas conectados a gargalos regulatórios, tecnologias industriais e desafios de desenvolvimento e qualidade. A lista apresentada no Meeting 2026 inclui:
- Katherine Maria Reis Santos Bocardi Machado (Pós-Graduação em Assuntos Regulatórios: ênfase internacional, CMC e inteligência artificial): O gerenciamento do ciclo de vida dos IFAs segundo a RDC 361/2020.
• Thayna Silveira Pestana de Souza Ramos, Giuliana Pahor e Bárbara Faria de Castro Alves (Pós-Graduação em Assuntos Regulatórios: ênfase internacional, CMC e inteligência artificial): Modernização regulatória: o papel do PGMP na gestão de mudanças pós-registro de medicamentos.
• Joana Paula Mota Pinto (Pós-Graduação em Produtos Biológicos e Biossimilares): Intercambialidade entre produtos biológicos e biossimilares: status e desafios regulatórios no Brasil e no mundo. - Girlane Sales Pereira Villa (Pós-Graduação em Indústria Farmacêutica: conceitos, aplicações e atuações): Impacto do uso de kits moleculares NAT na redução de doenças infecciosas em transfusões sanguíneas no Brasil.
• Emilyn da Rocha Ramos (Pós-Graduação em Indústria Farmacêutica: conceitos, aplicações e atuações): “Processo asséptico na indústria farmacêutica” (Libbs).
• Angelica Donato Ribeiro (Pós-Graduação em P&D Farmacotécnico e Produção de Medicamentos): Formulações injetáveis de longa ação na medicina veterinária: sistemas lipídicos vs. poliméricos.
• Simone dos Santos Silva (Pós-Graduação em Toxicologia Industrial): A importância do toxicologista na indústria farmacêutica.
Operação, bastidores e encerramento comemorativo
A COO da Faculdade CDPI, Heliana Brandão, atribuiu o resultado do evento a uma mobilização coletiva de professores, parceiros e convidados, reforçando o papel da operação para sustentar uma experiência de alto padrão. “A gente recebeu apoio de todos os lados: quem subiu ao palco, quem trabalhou nos bastidores e quem veio para fazer o encontro acontecer. Isso cria comunidade e cria responsabilidade com o que a gente entrega”, afirmou. Heliana também destacou que o Meeting foi desenhado para gerar conexão prática entre quem decide, quem regula e quem executa.
Após os painéis e palestras, a programação seguiu no Rooftop, com almoço e apresentações de quatro bandas ao vivo, encerrando o Meeting 2026 como uma combinação de conteúdo técnico, networking e integração entre lideranças do setor.
Ao final, Casonato reforçou o posicionamento institucional do CDPI com números de base e capacidade de entrega. “Atualmente, são mais de 2 mil alunos em curso, mais de 20 mil alunos formados e mais de 240 professores. A Faculdade CDPI tem certificação própria do MEC e um portfólio com mais de 10 pós-graduações, mais de 20 programas especializados e mais de 50 cursos técnicos e de gestão”, disse.