Astrazeneca pretende disponibilizar vacina antes de concluir estudos

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03 julho 2020
CDPI
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POR EGLE LEONARDI E JÚLIO MATOS
A Astrazeneca declarou que a vacina para prevenir contra o novo coronavírus, que está sendo desenvolvida pela Universidade Oxford, poderá ficar disponível ainda em 2020. A diretora-médica da empresa, Maria Augusta Bernardini, participou, na última segunda-feira (29/6), de uma conversa, transmitida ao vivo pela internet, com o embaixador do Reino Unido no Brasil, Vijay Rangarajan. A vacina está em testes no Brasil com dois mil voluntários ao todo, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
 
 
A executiva disse que se espera ter dados preliminares quanto à eficácia real, já disponíveis, em torno de outubro e novembro. Ela declarou também que apesar de os voluntários serem acompanhados por um ano, existe a possibilidade de distribuir a vacina à população antes desse período.
 
“Vamos sim analisar, em conjunto com as entidades regulatórias mundiais, se podemos ter uma autorização de registro em caráter de exceção, um registro condicionado, para que a gente possa disponibilizar à população antes de ter uma finalização completa dos estudos”, acrescentou, destacando que os prazos podem mudar de acordo com a evolução dos estudos.
 
A vacina está atualmente na fase três de testes. O Brasil é o primeiro País fora do Reino Unido a iniciar testes com a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, e um dos motivos que levaram à escolha foi o fato de a pandemia estar em ascensão no local.
 
“O Brasil é um grande foco de crescimento, de mortalidade, o que nos coloca como ambiente propício para demonstrar o potencial efeito de uma vacina. Para isso precisamos ter o vírus circulante na população, e esse é o cenário que estamos vivendo”, disse Maria Augusta.
 
A diretora-médica da Astrazeneca também destacou que a atuação de pesquisadores brasileiros em Oxford e sua reputação foi outro fator influenciador para trazer a pesquisa para o Brasil. “Isso fortaleceu a imagem e a reputação científica do Brasil, além de facilitar e trazer com agilidade o estudo em termos de execução”.
 
Vantagens da vacina de Oxford
 
Segundo ela, a vacina de Oxford tem vantagem sobre outras em desenvolvimento no mundo, pois, além de usar uma plataforma já conhecida e testada em vírus como Mers e Ebola, funcionaria com uma dose única. “Estamos desenvolvendo uma vacina em dose única. É um diferencial. […] Outro diferencial que temos é que sabemos que o potencial da geração de anticorpos é muito forte, muito positivo”.
 
A Universidade de Oxford anunciou, em maio, o início de um teste de Fase II e III no Reino Unido, do AZD1222, em cerca de dez mil voluntários adultos. Outros ensaios em estágio avançado começaram em vários países. A Astrazeneca reconhece que a vacina pode não funcionar, mas a empresa está comprometida em progredir no programa clínico com rapidez e aumentar a produção em risco.
Com informações da Agência Brasil
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